sábado, julho 01, 2006

Crónicas de viagem 3

Joãozinho é pobre, muito pobre e flavelado.
Há anos que todos os dias faz os mesmos circuitos, pelas casas das famílias generosas, que o conhecem e que se rendem à sua enorme simpatia, dando-lhe parte das suas sobras de comida, que carrega em embalagens de plástico, lá para a sua casita, na favela.
Joãozinho é pobre, muito pobre, mas honrado, grande comunicador e sempre pronto a bater um papo, com aqueles que encontra.
Tem um sorriso grande e bonito e não se lamenta, nem choraminga por comida ou ajuda. Fala de queixo bem levantado, que a pobreza não é vergonha, nem doença contagiosa.
Tem sempre uma agradecimento sincero na boca, quer receba alguma ajuda ou não, porque sabe lá no seu fundo iletrado, que o maior agradecimento de todos é estar vivo … e ir tendo saúde para continuar a sua luta diária, pela sobrevivência.
Gostei muito de falar com ele, é bem mais interessante do que tentar comunicar com outros intelectuais arrogantes e cheios de notas a caírem-lhes dos bolsos.
--- Oiça lá Joãozinho, então e o Lula, como tem sido, perguntou-lhe a L .
--- Está um pouco melhor, aqui há uns meses fui cadastrar-me lá na perfeitura, para poder ter direito à pensão de sobrevivência. Ainda não chegou, mas dizem por aí que está para breve.
Sempre é uma ajudinha para o pobre ! Tudo o que vier é bom, nem que seja 50 reais (20 euros) por mês . Agora se ele perder e vier outro, nem isso vamos ganhar. “
--- Força Joãozinho, passe sempre. Dona E sempre terá alguma coisa para lhe dar.
--- E muita saúde também, que doença é luxo caro, impossível para um pobre como o senhor.
E ele lá se foi, com um grande muito obrigado e um sorriso de esperança, tão grande como a sua pobreza, tão nobre como a sua honra ….

1 Comments:

Anonymous Celia Luz said...

Quem tem pouco, de pouco precisa, quem tem muito exige mais, é sempre assim! Na verdade, para sermos felizes só precisamos mesmo é de ter comida na mesa, familia e amigos!

4/7/06 20:07  

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