quarta-feira, novembro 09, 2005

Reflexões

Assisto com preocupação à situação em França.
Julgo agora compreender melhor as razões que levaram à um ano atrás, à quase ascensão de Le Pen ao poder ( não significa com isso que esteja de acordo com elas, apenas que as compreendo ).
Há anos que a França, bem como outros países da Europa, são autênticos barris de pólvora, prestes a explodir.
Chamámos os emigrantes quando precisámos de mão de obra, para construir as infra-estruturas do nosso desenvolvimento, porque a nossa baixa natalidade não permitia assegurar os braços de trabalho necessários e porque muitos dos nacionais desempregados, preferiam viver á custa do nosso sistema de segurança social, em vez de “sujarem” as mãos em trabalhos difíceis e mal pagos.
Demasiado ocupados e preocupados com a lenta degradação do Estado Social Europeu e a quebra de regalias que julgávamos vitalícias, descurámos as graves situações sociais que cresciam entre as famílias emigrantes, que vieram à procura do “El Dorado” e acabaram nos guetos que circundam as nossas maiores cidades.
E uma grande pergunta se coloca: E cá em Portugal, será que poderá acontecer o mesmo ?
A resposta é Sim ! sem qualquer dúvida. Falta apenas alguma pequena faísca, para acender o rastilho social.
Durante anos assistimos indiferentes ao abandono escolar de milhares de jovens, vindos quase sempre de bairros degradados e de famílias pobres, excluídas ou doentes. O que fazem hoje esses jovens quando deixam a escola ?
Muito poucos vão trabalhar, até porque os empregos escasseiam, principalmente para quem não adquiriu qualificações. Muitos dedicam-se a pequenos roubos, a tráficos ou outros biscates, que lhes dêem algum rendimento. Outros simplesmente vivem à custa dos pais, imigrantes ou pobres que trabalham de sol a sol e raramente estão em casa.
Vivem pois estes jovens em quase auto-gestão e nada esperam da nossa sociedade.
Ao princípio, queimar carros podia até ser uma forma de revolta … depois passou a ser simplesmente curtição, ou até nalguns casos uma macabra competição, com outros bandos rivais.
Ao criarmos a estúpida ideia que todos os nossos filhos estariam destinados a ser doutores, engenheiros ou advogados, cortámos as opções aos muitos jovens que não tem capacidades, vontade ou condições para atingirem tão ambicionadas profissões.
Porque razão não poderá um jovem de 13, 14 ou 15 anos, preparar-se já para ser mecânico, carpinteiro ou electricista ? Porque razão terá que vencer primeiro as “malditas” Matemática, História ou Inglês, antes de se poder dedicar de alma e coração à profissão que deseja alcançar ?
O resultado da nossa intransigência é o abandono escolar e a entrada antecipada na “Universidade da rua”.
Vale a pena pensar nisto !



PS - Aumenta a cada dia a probabilidade de Le Pen ser o próximo presidente de França

1 Comments:

Blogger Adriano Costa said...

Vale MESMO a pena pensar nisto!!!

10/11/05 20:50  

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