sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A OPA rural

Na tranquilidade do interior de Portugal um crime tremendo está prestes a ser cometido. O Ministério da Educação, comandado por aquela mulher abjecta, prepara-se para fechar 1600 escolas, do Norte ao Sul de Portugal .
È o golpe de misericórdia no Portugal rural, que irá destruir o que ainda sobra, o que ainda resiste nesta parte imensa de Portugal . Depois da emigração massiça dos anos 60, depois do desastre da Agricultura e da maldita Política Agrícola Comum, que levou ao abandono das terras (e á compra de apartamentos em Armação de Pêra), depois dos incêndios e da praga dos eucaliptos, depois da fuga dos jovens para as Amadoras, Loures ou Barreiro, deste país, só faltava o fecho das escolas primárias, para obrigar a sair os últimos jovens e os seus filhos e liquidar assim de forma irremediável qualquer possibilidade de renovação e relançamento de todo o interior de Portugal.
É monstruoso ! É chocante ! É revoltante !
Ali também é Portugal ! Ali vivem portugueses, que não devem ser abandonados, nem tratados como desprezíveis e gastadores, por esta cambada de maricons, que se refastelam nos seus gabinetes com ar condicionado e motoristas à porta, cavalgando carros de luxo, de alta cilindrada.
Ainda por cima, quando os centros de saúde vão encerrando um atrás dos outros, deslocalizados para o litoral, como se diz agora, como deslocalizadas serão as crianças dessas localidades, obrigadas a percorrer dezenas de kilometros em transportes duvidosos, para poderem exercer o seu direito á educação!
Sim, temos liberdade de expressão, uma grande conquista de Abril ! … de que lhes serve ? Bem podem berrar a plenos pulmões, por essas serras e planícies fora, que lá na cidade ninguém os ouve ….
E nós os da cidade, a reserva moral e intelectual da nação o que fazemos ? … Nada, estamos muito ocupados com o sexo dos anjos, os cartoons e outros temas do género … Afinal o interior, o campo, é apenas aquele local típico, onde vamos passar uns dias de férias de Verão, antes de voltarmos para a Babilónia do quotidiano … ou então aquele amontoado de montes e chaparros, que separam Lisboa de Madrid e da Europa … porque nos havemos de preocupar ? Sai mais barato, deixar aquilo morrer e na época de férias, contratar uns figurantes, para irem até lá para servirem os turistas … E no Verão quando estiver tudo a arder, mandamos para lá uns aviões e uns bombeiros, que até servem de atracção para encher uns telejornais …
Aos que ficaram, aos últimos resistentes resta apenas uma esperança : que a Espanha lance uma OPA rural, sobre todo o interior de Portugal e tome conta daquilo que o país politicamente correcto desprezou . Matávamos dois coelhos de uma cajadada, por um lado salvávamos o maldito do Défice e ainda ficávamos com muitos milhões para esbanjar e por outro lado dávamos aos povos do interior a possibilidade de ficarem com alguém, que cuidasse deles e os tratasse com respeito e dedicação, possibilitando-lhes os cuidados básicos e as infra-estruturas necessárias à sua sobrevivência.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Mais uma machadada no interior tantas vezes esquecido e ostracizado ... Assim se faz Portugal. Sem comentários

Antónimos Anonymous

10/2/06 18:13  
Blogger Celia Luz said...

1600 escolas????
Realmente é uma tristeza!!!
Aonde chegámos, no tempo da minha mãe e do meu pai eles tinham que andar 7 e 8 Kms para irem para a escola e acabavam por fazer só a 4ª classe. Portugal, neste momento, é o País da Europa com a taxa mais alta de analfabetismo! Pelos vistos querem aumentar ainda mais o valor desta estatistica. Será que vamos voltar ao antigamente, onde as pessoas mal sabiam ler, as que sabiam? Ainda querem maior exôdo rural do que temos tido?

13/2/06 14:40  
Blogger JC said...

Na sequência de que foi dito neste artigo, apareceu hoje uma notícia a dar conta do encerramento da maternidade do Hospital de Elvas, passando as crianças da terra a nascerem no Hospital de Badajoz !!!
Será que assim ganharão também o direito a serem espanhóis ?

26/2/06 12:11  
Anonymous Celia Luz said...

Fizeste-me rir com a desgraça! Agora vamos ficar com portugueses nascidos na Espanha... os espanhois é que se devem rir da situação, não ficaram com Portugal a mal mas aos poucos parece que vão ficando a bem...

6/3/06 23:17  

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