segunda-feira, janeiro 02, 2006

A Cura (6ªparte)

Até agora a sorte tinha estado do seu lado e tinha conseguido alcançar todos os objectos que o Professor Bambu lhe encomendara. Faltava o último e realmente não tinha muito tempo para o conseguir pois prometera entregar o táxi no dia seguinte.
Lembrou-se vagamente, de ter lido qualquer coisa sobre o personagem, numa daquelas revistas da moda e dirigiu-se para o bairro fino, onde morava o dito cujo.
E agora o que iria fazer ? Certamente que se lhe batesse à porta o homem não lhe iria dar o fio dental assim de qualquer maneira.
Estava ele envolto nos seus pensamentos quando um homem esbaforido, vestido de cores berrantes e muito pintalgado, se atravessou à frente do táxi, obrigando-o a fazer uma travagem de emergência.
--- Táxi, táxi, berrava o sujeito, acenando com o braço direito, enquanto o esquerdo segurava o casaco de peles de encontro ao peito.
Num ápice o homem contornou o táxi e entrou para o banco de trás, acompanhado de um matulão, com cara de menino de coro e braços musculados, cheios de tatuagens.
Ia protestar, dizendo-lhes que o táxi estava fora de serviço, quando olhando pelo retrovisor, viu com enorme espanto, que quem se instalara no banco de trás, era nem mais nem menos que aquele artista, o Castelo Tinto, acompanhado daquele actor dos filmes porno brasileiros, o Alexandre Truta. Realmente os anjos estavam com ele, pensou.
--- Que sorte ter encontrado um táxi vazio, exclama o sujeito, com aquela voz amaricada. Leva-nos para o Guincho, querido.
--- Concerteza, exclamou Portugal, pondo o táxi de novo em andamento.
E lá foram, serpenteando por entre o transito Lisboeta, que fluía com alguma dificuldade.
No banco de trás a conversa ia animada:
--- Aí homem, estás cada vez mais gostoso, dizia o conde, enquanto apalpava os músculos do outro.
--- Você me faz cócegas, cara, não seja tão meloso assim, olhe que o motorista está vendo, replicava o matulão.
--- Quero lá saber, você me dá cá uma fome, querido, exclamou enquanto despia o casco de peles. E o que é que é este inchaço que você tem aqui, querido, afirmou continuando a tirar a roupa.
--- É melhor parar, cara, olhe que eu não respondo por mim, suplicou o matulão, contorcendo-se perdido com cócegas.
Passado um pouco o táxi tremia por todos os lados e não era dos buracos da marginal, enquanto peças de roupa voavam pelo ar, nas traseiras do automóvel.
Que depravados, pensou Portugal escandalizado, olha-me só estes gajos !
Por fim chegaram ao Guincho e o táxi estacionou num canto da praia, deserta àquela hora da tarde.
--- Chegámos, querido, vamos dar um banho “au naturel”, é demais, exclamou o sujeito, abrindo a porta do táxi e correndo todo nu para dentro de água, logo seguido pelo brasileiro, também tal e qual como tinha vindo ao mundo.
Portugal olhou para o banco de trás do táxi, viu por entre o caos de roupas espalhadas, a cueca fio dental do artista e pensou: --- Já tenho o que quero.
Saiu do táxi, retirou toda a restante roupa, que deixou pousada na areia da praia e arrancou com o táxi, feliz da vida.

(continua)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Esta Blogenovela nunca esteve tão boa ... Até já tem sexo ...

3/1/06 10:28  

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